O decisor não é quem atende o telefone do site
Encontrar a empresa certa é a parte fácil. O que trava a prospecção B2B no Brasil é descobrir o nome de quem decide, e há duas fontes públicas que quase ninguém cruza.
Toda lista de prospecção passa pelo mesmo funil de decepção. Você acha 200
empresas do perfil certo. Delas, 140 têm site. Dos 140 sites, 90 têm um
telefone e um contato@. E aí o trabalho de verdade começa, porque contato@
não decide nada.
O que costuma acontecer
A saída padrão é buscar no LinkedIn por cargo e empresa, um por um. Funciona e custa caro em tempo: quinze minutos por empresa numa lista de 200 é uma semana inteira antes de a primeira mensagem sair.
A segunda saída é comprar o contato pronto. Também funciona, e o problema é outro: você não sabe se aquela pessoa ainda está lá. Base de contato B2B envelhece rápido, e o cargo que ela tinha quando o dado foi coletado não é o cargo de hoje.
Duas fontes públicas que respondem por conta própria
O quadro societário da Receita Federal. Toda empresa brasileira com CNPJ tem o QSA público, e nele consta quem é o sócio-administrador. Em empresa de pequeno e médio porte, que é onde a maior parte da prospecção B2B acontece, o sócio-administrador é o decisor, não um intermediário. É um nome real, com vínculo formal comprovado, e ele não vem de base comprada: vem do registro oficial.
Isso tem armadilhas que precisam ser tratadas. A razão social entra no QSA quando o sócio é pessoa jurídica, e "Social" abreviado parece nome de pessoa para um extrator ingênuo. Nome de empresa não é decisor, e distinguir os dois exige régua explícita, não intuição.
A experiência declarada no LinkedIn. O perfil que diz, na própria linha do tempo, que a pessoa é sócia ou diretora daquela empresa é prova de vínculo. Cargo isolado numa base não é: "Diretor Comercial" sem a empresa ao lado pode ser de qualquer emprego anterior.
O cruzamento é o que muda o resultado
Nenhuma das duas fontes sozinha basta. O QSA dá o nome com vínculo formal, mas não dá o perfil nem o canal para falar. O LinkedIn dá o canal, mas cargo declarado sem confirmação é afirmação de quem escreveu o perfil.
Cruzar os dois produz o que a prospecção realmente precisa: um nome, com prova de que a pessoa decide naquela empresa, e um caminho para chegar nela.
E quando o cruzamento não fecha, a resposta certa não é inventar. É devolver a empresa com o que se sabe, dizendo que o decisor não foi confirmado. Lista que preenche a coluna "decisor" com o primeiro nome encontrado parece mais completa e é pior: ela desloca o trabalho de conferir para depois do envio, quando já é tarde.
O teste para qualquer fonte de leads
Pergunte de onde veio o nome na coluna de decisor. Se a resposta for "da nossa base", pergunte de quando. Se for "do site da empresa", você provavelmente está olhando para quem responde o e-mail geral.
Se for "do quadro societário, confirmado no perfil dele", aí você tem um lead.